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A tecnologia que está a apoiar a formação dos médicos

A tecnologia que está a apoiar a formação dos médicos

Desde 2013 que os médicos portugueses contam com um centro que lhes permite treinar os preceitos da cirurgia endoscópica em contexto de simulação. A estrutura está agregada à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e é, neste momento, segundo o seu diretor, Silva Carvalho, a única do género no país autorizada a ensinar de acordo com as normas da Sociedade Europeia de Cirurgia Endoscópica e do Conselho Europeu do Colégio de Obstetrícia e Ginecologia. O responsável não tem dúvidas de que este modo de ensino não é o futuro da medicina, é já o presente. 

19.03.2016 | Por Cátia Mateus


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A cirurgia é, possivelmente, uma das tarefas mais difíceis que um médico encontra na sua vida profissional. E não é o facto de um procedimento cirúrgico ser menos invasivo do que outros que facilita a tarefa. Na verdade, para o médico e docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Silva Carvalho, “a aprendizagem e treino em Cirurgia Minimamente Invasiva (endoscópica), não pode ser realizada em situações experimentais nos doentes. O cirurgião deve primeiro preparar-se em termos de conhecimento e de capacidades psicomotoras, adquirir skills imprescindíveis a uma execução correta da cirurgia realizada por endoscopia, em particular por laparoscopia”. Foi para dar resposta a esta necessidade de treino por simulação, que o médico aproveitou a sua colaboração com a Academia Europeia de Cirurgia Ginecológica para estruturar o que é hoje o Centro de Ensino e Treino Endoscópico Cirúrgico (CETEC), a que preside a par com a sua carreira de professor e médico no Hospital CUF Porto.

O CETEC surgiu a partir de uma iniciativa conjunta da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e do Hospital CUF Porto e segue um modelo de ensino e treino da Sociedade Europeia de Cirurgia Endoscópica e do Conselho Europeu do Colégio de Obstetrícia e Ginecologia (European Board and College of Obstetrics and Gynaecology). A infraestrutura aguarda, segundo o diretor, uma auditoria (prevista para julho) que lhe conferirá o reconhecimento como “o primeiro centro de treino em Portugal com capacidade para certificar profissionais em Cirurgia Endoscópica Ginecológica, nos níveis 1 e do 2 do programa de treino e certificação da Sociedade Europeia de Cirurgia Ginecológica Endoscópica”. No CETEC foram investidos, além da parte logística e dos recursos humanos, cerca de €15 mil em equipamento e material específico essencial ao treino por simulação.

O centro está autorizado pela Academia Europeia de Cirurgia Ginecológica e disponibiliza cursos em formato de treino individualizado ou em grupo, servindo “todos os cirurgiões que queiram aprender ou treinar Cirurgia Minimamente Invasiva, em particular nas áreas da Ginecologia, Cirurgia Geral e Urologia”, explica Silva Carvalho. O professor não nega que “o principal público do CETEC são os internos que estão a realizar as respetivas especialidades”, mas enfatiza que a unidade de formação está disponível “para todos os que, tendo já algum grau de capacidade em cirurgia endoscópica, queiram treinar e desenvolver essas capacidades”.

O diretor do CETEC compara o treino em Cirurgia Minimamente Invasiva à aprendizagem de uma língua estrangeira: “deve fazer-se um certo grau de manutenção de capacidades/habilidades e também procurar desenvolver essas capacidades superiores”. O centro foi por isso equipado com um conjunto de material (hardware e software) e instrumentos necessários a este tipo de cirurgias, bem como material específico para a realização de exercícios específicos, cientificamente validados pela Academia Europeia da especialidade, “para navegação com câmera, coordenação entre o olho e a mão, coordenação entre ambas as mãos e vários outros equipamentos para desenvolvimento da capacidade de sutura”.

Além destas valências, o CETEC possibilita ainda a aprendizagem, por via informática, de conhecimentos teóricos através da observação de vídeos de diversos tipos de cirurgia. “Um médico hoje em dia já não pode aprender forma clássica, observando primeiro o operador, funcionando depois como ajudante, e posteriormente iniciando os primeiros atos como cirurgião”, explica Silva Carvalho. Para diretor do CETEC, o contexto atual e a própria evolução tecnológica associada à medicina e à cirurgia “exige que os médicos sejam treinados fora da sala de operações”. Tanto mais que, como refere, “as capacidades psicomotoras específicas da cirurgia endoscópica têm uma curva de aprendizagem que é muito lenta e implica a realização de um elevado número de procedimentos até se adquirir habilidade suficiente”. Razão pela qual, para o diretor, plataformas como o CETEC são cada vez mais determinantes.



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