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Estes são os cursos com menos desemprego

Estes são os cursos com menos desemprego

Quatro dezenas de cursos superiores integram a lista da DGEEC  de qualificações com maior potencial de emprego.

17.09.2017 | Por Cátia Mateus


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Há 40 cursos superiores em Portugal que apresentam uma taxa de desemprego nula ou inferior a 1%. Na semana em que se conheceram os resultados do concurso nacional de acesso ao ensino superior para 2017/2018, o Expresso teve acesso aos dados oficiais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), extraídos da base de dados da Direção-geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), sobre a empregabilidade dos cursos superiores em Portugal. Sem surpresas, a Medicina destaca-se no pleno emprego com seis mestrados integrados sem qualquer registo de diplomados desempregados inscritos nos centros de emprego nacionais. Mas a estatística revela algumas supresas. A maior delas será a enfermagem, que é apontada como uma das áreas que regista menor número de profissionais  inscritos nos centros de emprego como desempregados, quando se sabe que centenas de profissionais têm abandonado o país em busca de oportunidades de carreira. 
 
Medicina, engenharia de produção industrial, informática, química, matemática, ciências farmacêuticas ou biotecnologia são áreas que com facilidade associamos a um potencial de empregabilidade elevado, senão mesmo total. Todas elas fazem parte da lista de cursos com desemprego zero ou inferior a 1%, identificada pela  DGEEC e pelo portal Infocursos, que serve de base à tomada de decisão de muitos candidatos ao ensino superior. Mas a lista integra outras áreas de qualificação menos óbvias (ver tabela) e com empregabilidade. Segundo a estatística da DGEEC, nenhum dos 61 instrumentistas de orquestra, formados pela Academia Superior de Orquestra entre 2011 e 2015 estava, em dezembro de 2016, em situação de desemprego. O mesmo sucede com os 195 diplomados em Música (variante de execução), pela Escola Superior de Música do Politécnico de Lisboa, com os 80 mestres em Teologia formados, no mesmo intervalo de tempo, na Universidade Católica, ou com os 70 licenciados em Ciências Religiosas pela mesma instituição.
 
Para calcular a empregabilidade dos cursos de ensino superior, a DGEEC considera o número total de diplomados formados nos vários cursos e instituições de ensino nacionais (públicos e privados) entre os anos letivos de 2011/2012 e 2014/2015, cruzando-os depois com a média de profissionais do curso inscritos como desempregados nos centros de emprego nacionais, entre junho e dezembro de 2016. A lista que daí resulta não é hierárquica e aponta, tão somente, uma taxa de desemprego para cada curso que pressupõe que um diploamdo sem emprego esteja sempre inscrito no centro de emprego. O que não acontece, sobretudo com os recém-licenciados que raramente se inscrevem nos centros de emprego antes de uma primeira experiência laboral.
 
A metodologia  seguida poderá ajudar a justificar a referência na lista a seis cursos de enfermagem com empregabilidade plena (0% de desempregados inscritos nos centros de emprego nacionais em dezembro de 2016) e cinco com uma percentagem residual (entre os 0,5 a 0,9%) de diplomados no desemprego, numa altura em que a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, divulgou dados que apontam para a emigração de cerca de 14 mil enfermeiros portugueses nos últimos anos. Saídas que segundo os dados da Ordem dos Enfermeiros, terão ocorrido exatamente entre 2011 e 2015, os anos que servem de base à estatística, altura em que a emigração de profissionais desta área conheceu o seu boom. 

E o desemprego, onde está?
No outro prato desta balança estão os cursos com maiores taxas de desemprego e são sobretudo na área das ciências sociais, ainda que a Arquitetura se destaque também nesta lista. Segundo as contas da DGEEC, o mestrado integrado em Arquitetura da Escola Superior Artística do Porto figura na plataforma com uma taxa de desemprego de 31,5%. A licenciatura em Comunicação e Relações Públicas, do Politécnico da Guarda, regista uma taxa de desemprego de 27,8% e Educação Social, da Universidade Portucalense Infante D. Henrique está referenciada no portal Infocursos como tendo uma taxa de desemprego de 27,4%. Mas há também outros casos na área das engenharias. O curso de Engenharia do Ambiente, da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra regista uma taxa de desemprego de 25,7% e  a mesma licenciatura na Escola Superior Agrária de Bragança tem 20,7% do alunos que diplomou nos últimos anos em situação de desemprego.
 
E embora com taxas residuais quando comparadas com estas, algumas das licenciaturas consideradas de charneira pelos empregadores nacionais, com reconhecimento internacional, e que estão muitas vezes associadas a uma empregabilidade facilitada ou total (antes mesmo dos diplomados concluirem a sua formaçºao), figuram também na lista dos cursos que não são à prova de desemprego. Engenharia Aeroespacial, do Instituto Superior Técnico - que foi este ano o curso com média de acesso mais elevada - formou entre 2011 e 2015, segundo as contasa da DGEEC, 198 diplomados. Entre junho e dezembro de 2016, registou uma média de seis desempregados inscritos nos centros nacionais. Economia da NovaSBE regista 1,7% de desemprego na plataforma Infocursos e Gestão, pela mesma instituição, 2,1%. Na Católica, a licenciatura em Economia regista na plataforma 4,6% de taxa de desemprego e Gestãom 2,3%.
 
Mas será que mesmo com a margem de erro que todas as estatísticas comportam, para os candidatos ao ensino superior a aferição do potencial de empregabilidade do curso escolhido conta no momento da candidatura? Em parte. Os dados disponibilizados ao Expresso pelo MCTES, relativos ao último concurso nacional de acesso ao ensino superior, demonstram que, pese embora o facto das escolhas de primeira opção dos candidatos focarem cursos na área das Engenharias, Ciências Empresariais e Saúde, há uma aposta muito expressiva dos candidatos nas áreas das Ciências Sociais e do Comportamento e das Artes (áreas reconhecidas como tendo desemprego elevado), que figuram na quarta e quinta posições da lista de preferências dos candidatos ao ensino superior. 
 
Os cursos com menos desemprego*
 
Enfermagem (licenciatura) -  Escola Superior de Saúde Egas Moniz
Enfermagem (licenciatura) - Escola Superior de Saúde Ribeiro Sanches
Informática (licenciatura) - Instituto Superior Miguel Torga
Informática de Gestão (licenciatura) - Universidade Europeia
Ciências Aeronáuticas (licenciatura) -  Instituto Superior de Educação e Ciências de Lisboa (ISEC)
Enfermagem (licenciatura) - Escola Superior de Enfermagem de Lisboa
Eng.de Produção Industrial (licenciatura) - Instituto Superior D. Dinis
Educação Básica (licenciatura) - Instituto Superior de Ciências Educativas do Douro
Ciências da Saúde (licenciatura) - Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz
Enfermagem (licenciatura) - Escola Superior de Saúde Jean Piaget do Algarve
Instrumentista de Orquestra (licenciatura) - Academia Superior de Orquestra
Enfermagem (licenciatura) - Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal
Enfermagem (licenciatura) - Escola Superior de Saúde de Portalegre
Música - Variante de Execução (licenciatura) - Escola Superior de Música do Instituto Politécnico de Lisboa
Engenharia Informática (licenciatura) - Escola Sup. de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital
Enfermagem (licenciatura) - Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias
Enfermagem (licenciatura)- Escola Superior de Saúde do Politécnico de Beja
Engenharia Eletrotécnica (licenciatura) - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Enfermagem (licenciatura) - Universidade  Fernando Pessoa
Teologia (mestrado integrado) - Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa
Ciências Religiosas (licenciatura)- Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa
Eng. Física e Tecnológica (mestrado integrado) - Instituto Superior Técnico
Engenharia de Materiais (licenciatura) - Instituto Superior Técnico
Matemática Aplicada à Economia e Gestão - Instituto Superior de Economia e Gestão
Medicina (mestrado integrado) - Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
Química (licenciatura) - Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Matemática (licenciatura)- Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Ciências do Ambiente (licenciatura) - Universidade Aberta
Medicina (mestrado integrado) - Faculdade de Ciências Biomédicas Abel Salazar
Medicina (mestrado integrado) - Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
Medicina (mestrado integrado)- Faculdade de Medicina da Universidade do Minho
Medicina (mestrado integrado) - Fac. de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa
Enfermagem (licenciatura) - Escola Sup. de Enfermagem São João de Deus (Univ. de Évora)
Física (licenciatura) - Fac. de Ciências e Tecnologia da  Universidade de Coimbra
Química Medicinal (licenciatura) - Fac. de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra
Medicina (mestrado integrado) - Universidade da Beira Interior
Biotecnologia (licenciatura) - Universidade da Beira Interior
Música (licenciatura) - Universidade de Aveiro
Ciências Farmacêuticas (mestrado integrado) - Fac. de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve
Enfermagem (licenciatura) - Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve
 
*Fonte: Direção-geral de Estatísticas da Educação e Ciência; Lista não hierárquica estruturada a partir dos cursos que formaram mais de 50 diplomados entre 2011 e 2015


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